We Are - Capitulo 11
Justin
A festa já estava cheia. Assim que chegamos, várias pessoas se aproximaram para tirar algumas fotos ou fazer entrevistas. Ev manteve-se séria o tempo todo, o que me deixou levemente irritado, mas eu entendia o motivo.
Antes de sair de casa, recebi um e-mail de Ryan contando sobre Nacho e seu pai. Eles possuem um cassino famoso em Las Vegas, conhecido por ter "tudo liberado". Parece que até tráfico de mulheres acontece por lá. Paulina tenta fechar uma parceria com eles há muito tempo, desde antes de Gianni morrer, mas ele sempre odiou a ideia. Ele e meu pai eram totalmente contra esse tipo de coisa, especialmente o tráfico humano.
Paulina, por outro lado, não mede esforços para conseguir o que quer. Ela acredita que um casamento entre Nacho e Ev seria o caminho perfeito para alcançar seus objetivos. Foi por isso que trouxe Ev para morar aqui, sem nem pensar duas vezes.
— Que bom que chegaram. — Paulina apareceu, analisando Ev da cabeça aos pés. — Esse não era o vestido que escolhi para você.
— Achei que ele não estava pronto, considerando a transparência e a total falta de tecido.
Paulina forçou um sorriso.
— Querida, você precisa deixar sua feminilidade fluir. Mostrar o que tem de mais bonito para conquistar o mundo. É para isso que servem as mulheres.
— Como é?
Paulina ignorou a indignação de Ev e mudou de assunto com a naturalidade de quem está acostumada a impor sua vontade.
— Venha. Vamos cumprimentar Nacho e seu pai. Justin, vá até Elena e faça tudo o que ela pedir.
— Claro que ele vai. — Ev saiu, revirando os olhos enquanto passava por mim.
Me afastei, procurando Elena. No caminho, avistei uma porta preta com dois seguranças na entrada. Devia ser o escritório dela. Talvez eu conseguisse entrar lá mais tarde. Continuei andando até encontrá-la conversando com alguns garçons.
— Paulina mandou que eu a procurasse.
— Ótimo. Você precisa ajudar para que ela e Nacho tenham um momento a sós. Quando os dois estiverem conversando, impeça que qualquer pessoa se aproxime.
— Por que Paulina quer tanto que esse casamento aconteça?
Elena deu um sorriso irônico.
— É simples. Se a "golpista mirim" tiver o sobrenome do Nacho, ela pode induzi-lo a fazer o que Paulina quer, incluindo abrir portas para ela em Las Vegas.
— E se Ev não quiser ajudar a tia nisso? Vai ser um tiro no pé.
Elena deu de ombros.
— Com a grana que Nacho vai pagar por ela, mesmo que Ev não consiga abrir caminho em Vegas, Paulina ainda sai ganhando.
Minha raiva crescia a cada palavra.
— Espera aí... Paulina está tentando vender a própria sobrinha?
Elena riu, como se fosse óbvio.
— Pois é. E, sinceramente, ela nem vale tanto assim. Mas homem tarado não pensa nessas coisas.
Ev
Eu estava ali há menos de uma hora e já queria explodir aquele lugar. Minha tia era uma mulher nojenta, e o jeito como ela conversava com aqueles homens me fazia questionar como eu tinha nascido naquela família.
— Então, agora que está aqui, quando vamos finalmente sair? — Nacho perguntou, tirando-me dos meus pensamentos.
— Ah, quando vocês quiserem. É só marcar. Estarei viajando este mês, então a casa é de vocês.
— Não, eu já falei que não quero. — Respirei fundo, virando para ele. — Nacho, olha só, você parece ser legal, mas eu não quero me casar por conveniência.
— Não seria por conveniência se vocês se conhecessem melhor. Aposto que se dariam bem. — Simone, pai de Nacho falou pela primeira vez.
— Eu aposto que não. — Minha voz saiu firme. Nesse momento, vi um dos seguranças da minha tia passar e aproveitei para chamá-lo. — Por favor, se encontrar o Justin, peça que venha até aqui.
— Vamos com calma. Vamos aproveitar a noite. Simone, vamos dar uma volta e deixar os dois conversarem.
Minha tia e o pai de Nacho saíram, nos deixando com a banda que tocava música clássica ao fundo.
— A festa está bonita. — Nacho comentou, pegando uma taça de champanhe e me entregando outra.
— Se você acha. — Dei de ombros, meu olhar vagando pela sala em busca de Justin.
— Olha, eu sei o quanto isso é chato. Meu pai não parou de falar nisso desde que soube que você chegou. Mas nós podemos dar um jeito nisso.
— Como assim? — Parei de procurá-lo e encarei Nacho.
— Podemos dar o que eles querem e depois cair fora. Sempre quis morar em Paris. É um ótimo lugar para os meus negócios e, se não me engano, a Cidade Luz é perfeita para leitores.
— Cidade do Amor. — Corrigi.
— Perdão?
— Paris é a Cidade do Amor.
— Claro, Cidade do Amor. — Ele sorriu, tentando parecer simpático. — Imagine só como viveríamos bem lá. Teríamos uma casa enorme, com um escritório para você e uma biblioteca gigante. Eu teria meu escritório também. Seríamos ótimos colegas de apartamento. Além disso, dividir a vida com uma mulher bonita como você não seria nenhum esforço para mim.
— Nacho, sério. Viver algo falso não é o tipo de coisa que eu faria, muito menos para agradar outras pessoas. Já fiz demais por quem nunca me fez bem. Agora eu só eu queria focar em ser feliz. E, sinceramente, acho que quero me casar e formar uma família.
— Eu entendo, mas você acha mesmo que ele te daria um futuro bom? — Nacho perguntou, com um sorriso cínico. — Ele vive de um salário mínimo.
— Do que está falando? — larguei a taça sobre uma mesa e comecei a andar, tentando controlar minha irritação.
— Do segurança. Você está encantada por ele, não está?
— Não sei do que você está falando.
— Então por que está procurando ele desesperadamente por aí?
— Porque não quero ficar sozinha quando o leilão da Paulina começar.
— Que leilão?
— Não se faça de idiota, Nacho. Você, mais do que ninguém, sabe que desde sempre ela tenta me empurrar para esses velhos.
— Não é bem isso. Você está vendo de um jeito errado.
— Ah, é? E o que ela está tentando fazer conosco, então? Me poupe, Nacho. Por favor, não venha atrás de mim.
Saí, deixando-o falando sozinho. Aquela noite já estava me dando náuseas, e tudo que eu queria era ir embora.
Entrei no banheiro e me olhei no espelho. Comecei a ajeitar meu cabelo, que estava fora do lugar, quando percebi Elena saindo de uma das cabines. Ela parou ao meu lado, encostando-se na pia com um sorriso debochado.
— Curtindo a festa?
— Sim, muito. — Respondi, carregando a voz de ironia.
— Achei que você sumiria depois que Gianni foi atacado.
— Quem você acha que é para falar do meu tio assim?
— Ué, mas ele foi atacado... ou será que fez por vontade própria? Dizem por aí que ele não aguentava mais o fardo de ter uma família tão desarmoniosa.
— Qual é a sua, hein? Está ficando maluca?
— Relaxa, só estou brincando. — Ela ergueu as mãos em rendição, mas seus olhos tinham um brilho malicioso. — Você não acha estranho que a Paulina não tenha demonstrado nenhum pingo de tristeza pelo assassinato do seu tio? Um ano depois e ela está radiante. Inclusive, ouvi dizer que ela já mandou se livrar das cinzas dele. Palavras dela, não minhas. Ao meu ver, isso é bem suspeito, não acha?
— Do que você está falando? Por que está dizendo essas coisas? Foi o Justin que te contou?
— Não, o Justin não me contou nada. É só dar um Google no seu sobrenome que você descobre. Aliás, descobre também que ela está sendo investigada pela polícia.
Ela parou atrás de mim, e nossos olhares se encontraram no reflexo do espelho.
— Ah, e sobre o Justin... pode ficar tranquila. Você quer tanto se livrar dele, talvez eu o mantenha ocupado para você. Afinal, vi você conversando com o filho do Simone. Ele é um partidão, hein.
— Acho melhor você sair daqui.
— Claro, relaxa. Não vou deixar o Justin esperando por muito tempo.
Ela saiu, deixando-me com aquelas palavras ecoando na cabeça. Quem era aquela mulher? E por que, de repente, parecia determinada a cruzar o meu caminho?
Saí do banheiro e dei de cara com minha tia. Tentei recuar, mas ela foi mais rápida e segurou meu braço.
— Então, querida, o que está achando da festa? — perguntou com aquele tom doce que eu sabia ser puro teatro.
— Ótima. Posso ir embora agora?
— Você não pode fazer algo por mim pelo menos uma vez na vida? Eu te deixei ficar na minha casa, e tudo que eu peço é que você converse com as pessoas.
— Tia, eu não sou acompanhante de luxo. Chama a Elena, ela tem todo o perfil.
— Por favor, fica só mais um pouco. Depois deixo você passar o resto da festa no meu escritório.
— Promete?
— E ainda mando servir todos os doces antes dos convidados.
— Fechado!
Conversamos com mais algumas pessoas e depois nos encostamos em uma das mesas.
— Por que mesmo tem mesas sem cadeiras? — perguntei, curiosa.
— Para as pessoas poderem ficar mais perto umas das outras — disparou minha tia, como se fosse óbvio.
— Sim, além de ser extremamente chique — Elena apareceu sabe-se lá de onde, nos assustando.
— Onde Justin está?
— E por que eu deveria saber onde o seu segurança está? — retrucou.
— Porque você tem importunado ele desde que chegou, inclusive o tirando do horário de trabalho — minha voz saiu doce, mas com um tom afiado.
— Como é? Você está usando suas pausas de almoço para paquerar? — Paulina arqueou uma sobrancelha, dramática como sempre.
Elena balançou a cabeça, tentando se justificar.
— Claro que não, senhora. Nós nos encontramos por acaso.
— Hmm, tudo bem. Tenho muito apreço por vocês, mas trabalho é trabalho.
— Tudo bem, não vamos deixar nosso lance atrapalhar nada — ela respondeu com um sorriso provocador.
— Ótimo. Aliás, mandei preparar limonada suíça com um temperinho especial. Vocês vão amar.
O garçom se aproximou com a bandeja, e foi aí que a confusão começou. Quando virei para pegá-la, fui rápida demais e acabei derrubando tudo. Copos e jarra voaram direto na Elena, que soltou um grito histérico, chamando a atenção de todos ao redor.
— MINHA ROUPA! — Ela se debatia como se tivesse sido atacada.
— O que aconteceu aqui? — Justin apareceu atrás de nós, finalmente saindo do seu sumiço.
— Onde você estava? — virei para ele, mas Elena foi mais rápida:
— Essa garota derrubou todas as bebidas em mim!
Revirei os olhos, exasperada.
— Claro, fiz de propósito. — Olhei para o garçom, que se abaixava para recolher os cacos de vidro. — Moço, você está bem?
— Mas que confusão, Ev! Pelo amor de Deus! — Elena esbravejava, ainda tentando limpar o vestido. — Estou toda suja! Vai buscar um pano pra mim, seu imprestável!
Tentei me abaixar para ajudar o garçom, que, a essa altura, já estava roxo de vergonha.
— Não se abaixe, está louca? Olha esse docete! E, francamente, mulheres não ajudam homens, eles nos servem — Paulina segurou meu braço, me puxando com força suficiente para me fazer cambalear.
— Que isso, eu só quero ajudar o homem!
— Claro, depois de causar toda essa cena, agora quer se fazer de boa moça — Elena disparou, ainda esfregando guardanapos na roupa, sem sucesso.
— Cena? — minha voz saiu carregada de indignação. — Não sou eu que estou gritando feito uma galinha!
— Galinha? Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito? — Elena estreitou os olhos, parecendo pronta para atacar.
— Meninas, se acalmem — Paulina tentou intervir, mas Elena ignorou.
— Minha roupa vai ficar manchada! — lamentou, abraçando o próprio corpo como se estivesse sentindo dor física.
— Tome, vista isso — Justin tirou o paletó e entregou para Elena, que pegou com um sorriso triunfante.
— Obrigada por ser tão cavalheiro, Justin — Paulina disse, sorrindo enquanto ajudava Elena a ajeitar o paletó. Uma raiva inesperada começou a subir dentro de mim, queimando como fogo.
— Obrigada, Justin — Elena disse, dessa vez em um tom mais baixo, mas claramente teatral. Olhou ao redor, notando os olhares das pessoas. — Todos entendemos que você ficou meio fora de si depois de perder seu tio, mas não precisa agir como uma mimadinha ressentida pra chamar atenção. Seja adulta, garota. Você acha que seu tio sentiria orgulho dessa cena patética que acabou de fazer?
As palavras dela foram como um tapa.
— E, falando nisso — continuou Paulina, gesticulando de forma exagerada —, olhe ao redor. Tem um monte de gente nos encarando. Vou mandar servir o jantar.
Paulina deu um passo para trás, lançando-me um olhar de censura antes de seguir Elena. Elas se afastaram juntas, deixando um rastro de perfume caro e desdém.
Elena, no entanto, parou para pedir a Justin que conferisse sua maquiagem, e ele, como sempre, atendeu prontamente, bloqueando minha visão de tudo.
Foi quando ouvi o sussurro de Paulina:
— Gianni deve estar se revirando no túmulo de vergonha. Talvez seja por isso que os pais dela agem como se ela não existisse.
As palavras ecoaram como uma faca girando lentamente dentro do meu peito. Tudo em volta começou a perder o foco. A sensação ruim na boca do estômago tomou conta, e as cores à minha volta ficaram cinzentas, como se alguém tivesse abaixado o brilho do mundo.
Sem pensar, comecei a me afastar. Meus passos eram rápidos e erráticos, e acabei esbarrando em algumas pessoas, incluindo Nacho.
— Ei, você está bem? Ouvi um barulho. Se machucou? — ele perguntou, tentando me segurar pelo braço.
— Não. — Tentei me soltar, mas ele não deixou.
— Tem certeza? Você está pálida. Quer algo para beber?
— Eu quero que você me deixe em paz, Nacho. Que saco!
Sem esperar uma resposta, me desvencilhei e corri para o primeiro lugar onde avistei uma porta. Abri a porta da escada de emergência. Eu não tinha um lugar específico para ir, mas qualquer lugar longe de todos era o que eu precisava.
— Ev, espera! — ouvi Justin subindo as escadas atrás de mim.
— Vai se ferrar. — Parei na porta que dava acesso ao terraço, mas ela estava trancada. — Ótimo. — Revirei os olhos ao ouvir os sapatos de Justin batendo no chão logo atrás de mim. —Me deixa em paz — Tentei abrir a porta de novo, mas ela continuava travada. Justin passou na minha frente e, com um chute certeiro, abriu a porta, me fazendo saltar de susto.
— Agora me diz, o que foi aquela cena? Sua tia tá quase infartando.
— Ninguém viu. Para de drama. Só caiu um pouco de bebida na sua amiguinha. Tá com dó? Vai lá ajudar ela. — Olhei ao redor, observando a vista incrível que Portland nos entregava do alto daquele prédio.
— Você tá ficando louca. Ela não fez nada, e você ficou a noite toda com o tal do Nacho.
— ELE FICOU ATRÁS DE MIM! — Me aproximei dele, gritando a plenos pulmões. — Eu pedi pra te chamarem mil vezes, e você ignorou todas elas.
— Eu tava fazendo meu trabalho.
— Você não é pago pra ficar de conversinha em horário de trabalho. Quer pegar ela? Depois do expediente. Ou então você pode pegar suas coisas e sumir daqui. E, se eu quiser, da próxima vez eu jogo a festa inteira toda nela.
Justin começou a rir, e eu comecei a ferver de raiva.
— Tá rindo de quê, palhaço?
— De você. — Ele coçou o queixo e riu de lado. — Não ficou claro que eu não vou a lugar nenhum?
— Não, não ficou. — Me aproximei ainda mais. — Eu vi que você saiu essas duas últimas noites. Eu vi todas as ligações que você deu e recebeu. Se você acha que eu sou uma piada pra você, é melhor você...
Justin não me deixou terminar. Ele me agarrou e segurou meu pescoço.
— Nunca mais fale uma merda dessas.
Naquele momento, o mundo pareceu parar. Tudo o que eu conseguia sentir era o calor do corpo dele, a respiração pesada que se misturava com a minha. Meus olhos encontraram os dele, e por um segundo, tudo o que existia era aquele momento. Não houve mais hesitação. Nossas bocas finalmente se encontraram em um beijo que parecia consumir tudo ao nosso redor.
O toque dos lábios dele era ao mesmo tempo suave e intenso, como se ele estivesse tentando memorizar cada segundo. Minhas mãos subiram até seus ombros, e senti seus dedos deslizando pela minha cintura, me puxando ainda mais para perto. O beijo aprofundou-se, e eu pude jurar que meu coração estava batendo mais rápido do que nunca.
Eu nunca tinha sentido nada assim antes. Era como se todo o desejo contido entre nós tivesse explodido, e cada parte de mim gritava por mais. Quando finalmente nos separamos, nossas testas se encostaram, e ambos respiravam com dificuldade. Os olhos dele estavam fixos nos meus, e o sorriso que se formou em seus lábios me deixou completamente sem fôlego.
— E agora? Ficou claro o suficiente?

AAAAAAAAAAAAAAAA
ResponderExcluirFINALMENTEEEEEEEEE 🗣️🗣️🗣️🗣️🗣️
Ele tá tão na suaaaaaaaa