We Are - Capitulo 8
Justin
Ela enlouqueceu? Fui atrás dela enquanto subia as escadas batendo os pés com força.
— O que te deu? — segurei seu braço, impedindo que continuasse.
— O que é? — Ela balançou o braço, tentando se soltar, mas a segurei com as duas mãos, firmemente.
— O que deu em você?
— Justin, eu quero me arrumar e sair logo. Quanto mais cedo sairmos, mais rápido voltamos pra casa. Eu só quero que essa merda de festa passe logo!
Acompanhei sua subida com um olhar atento, achando essa mudança de humor muito suspeita. Algo não estava certo. Assim que ela desapareceu pelo corredor, decidi ligar para Ryan.
— Não me diga que já descobriu algo? — ele atendeu, sarcástico.
— Preciso que você pesquise sobre um tal de Nacho Matos e Simone Matos.
— Quem tá na função de detetive aqui é você, não eu.
— Não tô brincando, Ryan.
— Ok, qual o contexto?
— Tem uma festa na empresa central da Pauline. Esse assunto irrita muito a Ev, e quando a velha mencionou esses dois nomes, ela ficou ainda mais furiosa. Preciso saber se tem algum perigo envolvido nessa festa.
— Entendido. Vou dar uma olhada nisso... Ah, alguma chance de vocês se pegarem? Porque, assim, ela é gata e vocês passam o dia todo juntos, né?
Antes que eu pudesse responder, ela desceu as escadas. Usava um conjunto de saia e blusa combinando, uma meia-calça preta e botas. Parado no meio da sala, por um segundo, esqueci o que estava fazendo.
— Então... vê o que consegue e me liga depois.
— Certo. E, por favor, vê se se arruma bonitinho pra impressionar na festa, hein. — Ryan riu antes de desligar.
— Então... — a voz dela cortou meus pensamentos.
— Podemos ir?
— Sim. A não ser que a conversa esteja atrapalhando suas horas de trabalho.
— O quê? Estou ficando louco ou ela está com ciúmes? Não... é o estresse da festa. Ou talvez não seja só isso.
— Essa Elena é bem organizada. Até QR codes de GPS dos lugares ela colocou nos arquivos. Fora que o perfume dela ficou na minha mão até agora. — Ri, mas ela permaneceu em silêncio, como se minhas palavras tivessem sumido no ar.
Seguimos em silêncio até o carro. Quando fui abrir a porta para ela, Ev se enfiou na minha frente, entrou e bateu a porta com força.
— Então... spa, hein? — arrisquei dizer.
Ela continuou muda. Que humor, hein?
— Vou ver se a Elena tem um calmante pra você. Aposto que é tão organizada que deve ter algo guardado.
— Pra facilitar, então, a gente para aqui, eu pego o carro e vou pro meu compromisso. Não tenho tempo pra ouvir você falar de coisas triviais no seu horário de trabalho.
Tentei me segurar, mas não consegui evitar uma gargalhada. Ela me olhou incrédula, o que só me fez rir mais. Parei o carro no semáforo, que acabara de ficar vermelho.
— Olha pra mim.
Ela manteve os olhos fixos na janela.
— Eu disse pra você olhar pra mim.
Quando continuou sem responder, puxei seu rosto para mim. Raiva estampava suas pupilas, tão evidente que era quase palpável.
— Acredite ou não, meus olhos estão apenas em você no momento. E, querendo ou não, eu não vou a lugar nenhum.
Por impulso, mordi seu lábio inferior e o puxei de leve.
— Ai! Minha boca tá machucada, seu animal! — Ela me empurrou, respirando fundo, claramente desnorteada.
Eu ri.
— O recado tá dado.
O restante da viagem foi em silêncio. Ela olhava pela janela, e, vez ou outra, eu deixava minha mão descansar em sua coxa, só pra lembrar quem estava no controle.
Ev
Eu amo vir a esta loja. Amo provar todas as roupas, amo o champanhe e amo todos os elogios que recebo. Mas hoje, a única coisa que eu queria era dormir até toda a minha raiva passar.
— Olá, querida! Que bom que voltou! Sentimos sua falta. — Abracei a dona da loja.
— Pois é, faz muito tempo.
— Então, pronta para um banho de loja? Soube que a festa vai ser de gala.
— Pois é.
— Sua tia já nos mandou todos os modelos. Já, já eu… — O comentário dela parou no ar, e eu me arrepiei ao sentir Justin atrás de mim. De repente, todas as atendentes começaram a se juntar ao nosso redor. Isso só pode ser piada.
— Então… — sorri incomodada, vendo a dona da loja se encolher de vergonha.
— Me acompanhe, sua sala está pronta.
Me afastei sem olhar para trás, ouvindo algumas atendentes perguntarem se ele precisava de algo. Ele apenas murmurou um “não”.
— Fique à vontade. Qualquer coisa, me chame.
As próximas horas se seguiram com eu experimentando vestidos. Todos eles muito decotados ou com fendas que chegavam até meu útero. Dessa vez, eu não vou deixar ela me manipular de novo.
— Acho que vou experimentar o preto do primeiro modelo. Gostei do caimento, mas… — Minha frase morreu quando saí do provador e dei de cara com Justin sentado na poltrona, mexendo no celular. Ele ergueu os olhos e me analisou de cima a baixo. Agradeci mentalmente por estar usando uma lingerie bonita e combinando.
— Não é o estilo gala que eu geralmente vejo em festas, mas até que caiu bem em você. — Ele falou irônico, bloqueando o celular.
Ignorei o comentário dele e fui até a arara procurar o modelo do vestido que queria. E, claro, quando percebi, ele estava atrás de mim.
— Posso brincar disso o dia todo. — Ele me virou para ele, analisando meu rosto com aquele olhar penetrante.
— Você está me atrapalhando. — Tentei sair, mas ele segurou meu braço firmemente, me impedindo. — O que você quer?
— Achei que tínhamos entrado em um denominador comum. — A voz dele era grave, mas calma, o que me irritou ainda mais.
— Você pode me deixar passar, por favor? — Me soltei dele com um movimento brusco, mas antes que eu pudesse dar mais um passo, ele me empurrou suavemente para dentro do provador e entrou atrás de mim, fechando a porta com um clique seco.
— O que você tá fazendo? — perguntei, o coração acelerando, tanto pela proximidade quanto pela confusão.
— Isso tudo é por causa da Elena? — Ele ergueu uma sobrancelha, a provocação clara na voz.
— Não! Eu só... Eu odeio o dia de hoje, tá? Não quero viver o dia de hoje. — Minha voz saiu mais aguda do que eu gostaria, traindo meu nervosismo.
— E aí você desconta em mim? — Ele se aproximou mais, a tensão entre nós ficando quase tangível. — Se fosse a Elena, ela não faria ...
Antes que ele terminasse, eu o empurrei com as duas mãos no peito. O impacto foi mínimo, quase ridículo, considerando a diferença de tamanho entre nós, mas serviu para deixar claro que eu estava falando sério.
— Justin, eu tô falando sério... — Minha voz vacilou, e ele se inclinou ligeiramente para mim, o olhar preso ao meu.
— Talvez eu possa te ajudar a desestressar. — A sugestão na voz dele era óbvia, mas ao mesmo tempo havia algo genuíno, quase preocupado, escondido atrás da provocação.
— Isso não é brincadeira. — Cruzei os braços, tentando criar alguma distância, mesmo que ela fosse apenas simbólica.
— Eu sei que não é. — Ele deu um passo mais perto, até que eu quase pudesse sentir o calor dele contra mim. — Mas você pode pelo menos deixar eu tentar?
O silêncio se instalou por um momento, e tudo o que consegui fazer foi respirar fundo enquanto os olhos dele me observavam, esperando minha resposta.
Justin começou a distribuir vários beijos pelo meu pescoço, me fazendo praticamente derreter em seus braços.
— Isso não é justo. — Ri enquanto ele alternava entre beijos e leves mordidas.
— Você acha que eu me importo? E não é como se você não estivesse gostando. — Ele riu abafado no meu pescoço, enquanto praticamente amassava minha cintura com suas mãos fortes.
— Como você tem tanta certeza? — perguntei, tentando manter minha voz firme.
Ele parou de dar atenção ao meu pescoço e me encarou.
— Porque eu sei que você quer isso tanto quanto eu. — Ele me puxou ainda mais para perto, nossas bocas quase se tocando. A tensão no ar se transformou em uma eletricidade palpável. Eu hesitei, mas a necessidade de sentir a boca dele me fez suspirar fundo.
— Ev? Está aí? — ouvimos a voz da atendente do lado de fora.
— Acho que isso é um sinal de que não devemos fazer isso. — Ri quando ele apoiou a testa em meu ombro, suspirando de frustração.
— Não, isso significa que, quando acontecer, vai ser do jeito mais louco. Nem um terremoto vai me parar. — Ele me deu um selinho rápido e saiu do provador.
Ouvi um “oh, olá” da atendente, e eu saí em seguida, sorrindo completamente desnorteada. Porque, sim, eu perdia o rumo de tudo quando Justin estava por perto.

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