We Are - Capituo 5

 




Justin

Observei enquanto ela se afastava, destravei o carro de propósito, fazendo-a dar um salto de susto.

— Nem pense em sair daqui sozinha. Eu não estou brincando. — Ela virou para trás, bufou e entrou no carro, batendo a porta com força.

— Você tá maluco? — Domenico abriu a porta de emergencia e veio até mim, parecendo prestes a explodir. — Se isso chegar aos ouvidos do Mario, ele vem pessoalmente te partir ao meio.

— E você queria que eu fizesse o quê?

— Sei lá, mas precisava mesmo mostrar a arma pra ele? — Domenico passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Gastei um bom dinheiro calando uns idiotas que filmaram tudo.

— E o cara? — Perguntei, lançando um olhar para o carro. Pelo reflexo, vi Ev olhando o rosto no espelho, perdida nos próprios pensamentos.

— Foi pro hospital. Mandei um dos seguranças com ele pra garantir que fique calado.

— Ótimo. Estou indo embora. — Dei as costas, começando a me afastar.

— Justin. — Domenico chamou, sua voz carregada de um aviso. Me virei, impaciente.

— Não esquece que, uma hora ou outra, você volta para a Sicília. E também não esquece que vocês dois são de mundos diferentes. — Ele riu, provavelmente da minha expressão irritada. Ignorei a provocação e entrei no carro, respirando fundo enquanto tentava manter a calma.


Ev
Ignorei Justin o caminho todo, lutando para conter as lágrimas. Minha boca latejava, e parecia que minha mandíbula ia explodir de tanta dor.

Assim que chegamos em casa, subi correndo para o meu quarto. No banheiro, acendi a luz e soltei um grito. Meu rosto estava inchado, e um hematoma começava a se formar ao redor do pequeno corte, que voltou a sangrar por causa do meu ataque de pânico.

— É melhor irmos ao hospital. — Justin apareceu na porta, sem gravata e com a camisa parcialmente aberta, revelando uma tatuagem bem no centro do peito.

— Sai daqui!

— Só quero ajudar. — Ele entrou no banheiro, parando atrás de mim.

— Você me ajuda saindo daqui! — Tentei limpar o sangue com papel higiênico, mas, nervosa, acabei molhando tudo e formando uma bagunça na pia.

— Ev, me deixa te ajudar. — Ele colocou as mãos nos meus ombros, fazendo uma leve pressão. — Desculpa. Eu não queria causar tudo aquilo. Perdi a cabeça. Fiquei com raiva por não chegar a tempo.

Minhas lágrimas começaram a cair com força, e o medo que sentia só aumentava. Justin me virou de frente para ele e, com facilidade, me colocou sentada na pia, se posicionando entre minhas pernas.

— Não. — Afastei o rosto quando percebi o que ele pretendia fazer.

— Preciso limpar o seu rosto. Está sangrando.

— Meu rosto tá doendo.

— Eu sei, mas preciso limpar antes de passar algum remédio.

— Remédio? Nem pensar!

— Para uma mulher de 27 anos, você está bem medrosa. — Ele sorriu de leve. Minha expressão indignada o fez rir ainda mais. — Eu vou devagar. Se doer, me avisa, e eu paro.

Sem responder, deixei que ele limpasse meu rosto. Apesar da dor em alguns momentos, ele se desculpava a cada movimento errado, fazendo uma expressão de sofrimento que me arrancava risadas.

— Pronto. Finalmente parou de sangrar. — Olhei para o espelho, meu rosto ainda inchado, mas menos assustador sem todo aquele sangue.

— Obrigada... Além de segurança e motorista, você é médico também?

— Aprendi a me virar sozinho. — Ele se afastou, ligando a torneira. O calor que ele transmitia fez falta imediatamente. — E agora, o que quer fazer?

Justin me pegou no colo, me colocando no chão.

— Meu rosto ainda tá doendo. — Saí do banheiro e fui até o quarto, procurando minha caixa de remédios. Peguei um relaxante muscular e tomei com água.

— Obrigada... — Ele pareceu surpreso com meu agradecimento, interrompendo sua inspeção do quarto para olhar para mim. — Por ter batido naquele cara. Por ter me trazido pra casa. E por ter me ajudado a limpar essa bagunça.


Justin
Ev me encarava com os olhos brilhando, claramente afetada pelo álcool.

— Você precisa dormir. — Peguei a garrafa de água e virei para ver o que ela tinha tomado. — Dipirona?

— Sim. — Ela tentou abrir o zíper do vestido, mas falhou. — Droga.

Me aproximei, abrindo o zíper lentamente. Quando terminei, ela segurou o vestido contra o corpo e se virou para mim, um sorriso divertido no rosto.

— Você fica mais bonito quando não está com aquela cara.

— Que cara?

— De cachorro raivoso. Prefiro essa cara de bom moço. — Ela subiu a mão até a minha nuca, massageando de forma que me tirou a concentração por alguns segundos.

— De bom moço, eu não tenho nada.

— Então me mostre quem você é de verdade.

Quando ela se desequilibrou, segurei firme sua cintura.

— Se eu começar, não vou parar.

— Quem disse que quero que você pare?

Ela começou a beijar meu pescoço, mas, quando estava perto demais, uma lembrança amarga invadiu minha mente. A imagem do meu pai caindo morto nos meus braços me fez parar.

A peguei no colo e a joguei na cama, cobrindo-a com o edredom.

— O que está fazendo?

— Você está bêbada. Não podemos fazer isso. Nem vai lembrar amanhã. Agora durma.

Saí do quarto, incrédulo comigo mesmo. Precisaria de um banho frio para afastar os pensamentos do que queria fazer enquanto o frio lá fora marcava 6 graus.

Comentários

  1. MEU DEUS
    MEU DEUS
    MEU DEUS
    JUSTIN, VOLTA AQUI 🗣️🗣️🗣️🗣️
    Não dá, ele cuidadoso assim não dáaaaa 🥹🥹🥹
    Meu coraçãozinho não aguentaaaaa

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