We Are - Capitulo 9


 

Justin

Eu estava a ponto de enlouquecer, não é possivel que a perdição do homem é a mulher. Sai do provador e a atendente me olhou com certo espanto.

- acho que ela precisa de ajuda. 

Sai antes de ela responder e fui direto pro carro. Entrei e fechei a porta ligando o ar no maximo, eu não bateria uma no carro, isso é humilhante ate pra mim. Talvez isso seja só tesão acumulado. Antes que eu pudesse raciocinar, estava discando o número de Elena.

— Sabia que me ligaria. — Ela atendeu no segundo toque.

 — Sabia? Como?

 — Sua curiosidade inunda essa casa. 

— Casa?

 — Então? Onde vamos nos encontrar? E quando? 

— E-eu não sei. 

— Tudo bem, eu planejo tudo para o nosso momento.

Ok, eu devo estar louco, porque essa conversa não faz sentido nenhum. Quando ia perguntar se ela sabia mesmo o objetivo da minha ligação, Ev entrou no carro e sorriu tímida para mim.

— Podemos ir. — Ela colocou o cinto, e eu assistia enquanto Elena me chamar do outro lado da chamada. 

— Você tem alguma preferência? Clube, balada, jantar? Cinema? É só escolher. 

— Hmmm... ééé... você escolhe e me avisa, pode ser? 

— Claro, aguarde minha ligação. — Elena desligou, e eu fiquei petrificado, sem entender o que tinha acabado de acontecer.

— Tudo bem? — Ev me encarava, enquanto eu continuava olhando para frente. 

— Sim, vamos então. — Dei partida no carro, movendo apenas os braços enquanto conduzia.

— Tudo bem com a ligação? 

— Sim, era sobre a roupa da festa. 

— Ah, sim. Bem, eu preciso ir ao salão. Vai demorar um pouco, mas posso voltar de Uber para casa quando terminar. 

— Tudo bem, eu dou uma volta por aí e te pego depois.

 — Tem certeza? 

— Sim, tenho.

O resto do caminho foi em silêncio. A ligação, o momento no provador, meu pai, minha ida para Portland... tudo rodava na minha mente. Deixei Ev no salão e fui para o bar fake de Domenico.

— Olha só que visita especial temos por aqui. — Ele abriu os braços por trás do balcão ao me ver. 

— Seu negócio já faliu? — Sentei no banco de frente para ele. 

— Ele só abre à noite. Durante o dia, é meu centro de descobertas. Mas o que você faz aqui assim, sem sua criança? 

— Me dá um shot de vodca. 

— Aconteceu alguma coisa? 

— Melhor me dar a garrafa logo. 

— Ok, entendi. Vamos com calma. Comece com uma cerveja.

Domenico pegou duas long necks, saiu do bar e fomos para o seu escritório.

— Pela sua cara, a coisa não está boa. 

— Eu vou voltar para casa. 

— Tá doido? O que aconteceu? Tem alguém desconfiando? 

— Não, isso não vai dar certo, cara. Essa garota... ela... 

— Justin, você está se envolvendo com essa garota? — Encarei-o, querendo estrangulá-lo. 

— Não estou perguntando como gângster, e meu Deus, como eu odeio essa palavra. — Ri. — Estou perguntando como seu melhor amigo desde o dia que nasci. 

— Não nos beijamos ainda. 

— Mas já se tocaram? 

— Domenico, eu não vou falar disso com você. 

— Cara, eu só estou tentando entender por que você está frustrado desse jeito. 

— Domenico, a gente está se amassando por aí e por aqui, mas ainda não nos beijamos. Eu não quero que isso tenha consequências ruins para ela. — Falei, já irritado só de imaginar. 

— O que você faria se tudo desse errado e a Pauline descobrisse? 

— Eu a levaria comigo. 

— Sério? Mario ia adorar. — Ele falou irônico. 

— Uê, o próximo passo quando me tornar o dono da família é casar. 

— Peraí, casar? Quando que amasso virou próximo passo para casamento?

Parei, encarando Domenico, percebendo a besteira que ia falar.

— Então, a Elena tem uma nova secretária. A garota é toda esquisita. Chamei-a para sair depois da cena no provador, e ela já veio com um papo de que arrumaria tudo, escolheria o lugar e eu só precisava esperar a ligação dela. — Terminei de falar e me encostei no sofá, me sentindo estranho por estar suando. 

— Ok, depois de você me explicar o que aconteceu no provador para decidir chamar a nova secretária da Pauline para sair, que aparentemente é doida, você vai respirar fundo, voltar para casa e focar na missão. Justin, isso está passando do ponto. Você tem que manter o foco. Pegue quantas mulheres de Portland quiser, mas cumpra sua missão.

Ev

Justin ficou muito estranho depois que saiu do provador. Será que vamos nos beijar? A ideia de eu tomar a iniciativa me arrepia dos pés à cabeça. Talvez eu deva perguntar, ou deixar rolar, ou sei lá, esquecer isso e focar em viver o melhor de Portland.

Terminei meu dia no salão super cansada. Depois de uma mega hidratação e uma pequena aparada nas pontas do cabelo, fiz mão e pé, e recebi uma bela massagem que vai me deixar leve por muito tempo.

Justin me mandou uma mensagem pedindo para encontrar com ele no restaurante perto do salão, pois havia pedido comida para o jantar. Entrei no restaurante e o encontrei sentado em uma das poltronas no fundo do lugar. Ele estava completamente diferente do Justin que me havia deixado no salão mais cedo. O cabelo estava todo arrepiado, a gravata jogada em cima da mesa, a camisa amassada e fora da calça, com os quatro primeiros botões abertos e as mangas dobradas de qualquer jeito até o cotovelo. Ele fitava um copo com um líquido branco cheio de gelo.

— O que aconteceu? — Ele ergueu os olhos e se ajeitou na cadeira. 

— Você cortou o cabelo. — Ele comentou e estendeu uma mão para que eu me sentasse de frente para ele. 

— Só as pontas, nem dá para reparar. 

— Eu reparei. — Um silêncio constrangedor apareceu e ficou ali por uns cinco minutos. 

— A comida já vai sair. 

— Tudo bem. Então, o que fez o dia todo? 

— Voltei naquele bar, fiquei amigo do dono. 

— A Kaia está ficando com ele. Ela me disse que eles trocam uns 500 nudes por dia. — Falei rindo, me lembrando dela me enviar fotos para escolher qual era a melhor para enviar. 

— Sério? — Ele me encarou divertido. — Ele não mencionou isso. 

— Eles estão no sigilo, algo sobre não querer alarmar as pessoas por conta do bar. 

— Entendi. Você parece cansada. 

— Já dizia Beyoncé: a beleza dói. Mas hoje fiz uma massagem incrível para me preparar para amanhã. Estou ótima, só preciso de um bom banho e ler um pouco. 

— Qual a história da vez? 

— Nenhuma interessante. 

— Qual o nome? 

— Jogos do Amor. 

— Sobre o que? 

— Nada demais, eu comecei agora. — Nem sob tortura vou dizer a ele que estou lendo um romance proibido sobre um guarda-costas e sua cliente. 

— Por que não quer me falar sobre o livro? — Ele falou divertido, e eu puxei seu copo, tomando o líquido e fazendo careta logo em seguida.

 — O que diabos é isso? 

— Metade vodca e metade Sprite. — Ele puxou o copo de volta. 

— Isso é horrível. 

— Não é. É vodca e refrigerante de limão. O gelo já derreteu, por isso está meio ruim. Mas então...

Acho que ele ia continuar perguntando sobre o livro, mas a comida chegou. Me levantei rápido, agradecendo à garçonete que trouxe várias sacolas.

— Tudo isso para um jantar de duas pessoas? 

— Quem disse que eu comprei para dois? — Olhei espantada para ele, enquanto ele pegava as sacolas e saía rindo do restaurante.

Comentários

Postagens mais visitadas