We Are - Capitulo 16

Justin

O sangue latejava em minhas têmporas, um tambor incessante de raiva e adrenalina. Tudo estava acontecendo rápido demais.

— Ev, me diz o que aconteceu — minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.

Sentei Ev no banco enquanto Kaia andava de um lado para o outro, os olhos arregalados, o pânico estampado em cada movimento.

— Eu... eu fui entrar no escritório dele. Estava tudo escuro. — Sua respiração estava acelerada. — Tinha vidro quebrado do lado de fora, e quando a porta abriu, eu acendi a luz... O Domenico está lá dentro, no chão, sangrando! Justin, vai logo!

O horror no olhar dela me fez correr antes que meu cérebro processasse completamente suas palavras.

Quando cheguei ao escritório, os capangas do meu pai já estavam lá, ajoelhados ao redor de Domenico, tentando mantê-lo consciente. O cheiro metálico de sangue era forte.

— Ele tá morto? — Minha voz saiu firme, mas por dentro eu fervia.

— Não, senhor. Mas se ele não for socorrido agora, não dura muito. Perdeu muito sangue. — Um dos homens tateava o corpo dele, buscando algo. — Parece que algumas costelas foram quebradas.

Engoli em seco.

— Merda.

— Meu Deus... — A voz de Kaia veio fraca atrás de mim. Ela estava pálida, amparada por Ev, lágrimas escorrendo sem controle.

— Amiga, a gente precisa sair daqui... — Ev tentou puxá-la, mas Kaia se desvencilhou, se jogando no chão ao lado de Domenico.

— Domenico, acorda. Se você morrer e me deixar aqui sozinha, eu juro que te mato! — Ela segurou o rosto dele com desespero.

Uma pontada de curiosidade me atingiu, um veneno frio se espalhando por minha mente. Desde quando eles eram tão próximos assim?

— A ambulância já está a caminho, senhora. Se acalme. — O capanga tocou seu ombro, mas ela sequer piscou.

— Não mexe nele, pode piorar as fraturas.

Kaia olhou para Ev, como se só agora processasse a gravidade da situação.

— Mais alguma coisa?

— Ele vai ficar bem — Ev tentou convencê-la, puxando-a de novo.

Suspirei, entregando a chave do carro para Ev.

— Leva ela daqui.

Ev assentiu, segurando Kaia firme enquanto a arrastava para fora. Antes que saíssem, olhei para um dos homens ao meu lado.

— Não tira os olhos das duas. Qualquer movimento estranho... atira.

Ele apenas assentiu antes de desaparecer pela porta.

Respirei fundo. Hora de colocar ordem nisso.

O poder escorreu pela minha espinha como um fogo frio, familiar, viciante. Meu motorista na Sicília me olhou e sorriu de canto. Peguei a arma presa na parte de trás da minha calça, sentindo seu peso confortável na minha mão.

Olhei para Domenico, seu corpo imóvel, o sangue manchando o chão.

E então, saí.

Ev

Ajudei Kaia a entrar no carro, fechando a porta do passageiro antes de deslizar para o banco do motorista.

— Ele vai ficar bem — soltei, tentando soar mais confiante do que realmente me sentia.

Kaia encarava o nada, o rosto pálido, as mãos trêmulas.

— Aquele idiota disse que me amava.

— Ele ainda ama. Para de falar dele no passado.

Ela soltou uma risada sem humor.

— E o que eu faço agora? Eu estava me apegando a ele, Ev. E, do nada, ele aparece daquele jeito, desacordado, ensanguentado... O que aconteceu com ele?

— Eu não sei, amiga, mas Justin já deve ter chamado a polícia. Eles vão descobrir.

O silêncio caiu entre nós, pesado como chumbo, até que um movimento no retrovisor fez meu coração apertar. Uma silhueta surgiu na parte de trás do carro.

Meu corpo reagiu antes da minha mente. Abri o porta-luvas e puxei um canivete que sabia que Justin guardava ali.

— O que você vai fazer? — Kaia perguntou, a voz tomada pelo pânico.

— Fica aqui. Não sai.

— Ev...

— Tô falando sério.

Saí do carro, o canivete firme na mão. O homem à minha frente parou, analisando meu rosto antes de baixar os olhos para a lâmina aberta.

— Calma, não precisa disso. Estou aqui a mando do senhor Bieber.

Franzi a testa.

— Bieber?

— Quer dizer, Justin. Sou segurança do bar. Ele pediu pra eu ficar de olho em vocês. Questão de segurança.

Minhas mãos estavam suadas, mas não afrouxei a pegada no canivete. Dei uma rápida olhada ao redor.

Um carro parado no fim da rua sem saída chamou minha atenção. As luzes acenderam de repente, e o veículo arrancou em disparada.

O segurança se moveu na mesma hora, rápido demais. Seu corpo se colocou entre mim e a rua num instante, como se já estivesse esperando algo assim.

— Melhor entrar no carro. Justin já está vindo.

— Domenico... como ele está?

— A ambulância levou ele desacordado. Perdeu muito sangue, mas é forte. Ele vai ficar bem.

Fechei os olhos, me abraçando.

— Tomara...

— O que diabos você tá fazendo fora do carro?

A voz grave e cortante de Justin fez um arrepio subir por minha espinha.

Me virei e quase não o reconheci.

Seu cabelo bagunçado, a camisa amarrotada e meio para fora da calça, o suor colando algumas mechas à testa. Mas o pior era sua expressão. Uma carranca que parecia quase palpável.

— O que aconteceu com você? — perguntei, tentando decifrá-lo.

Ele soltou o ar devagar, como se tentasse segurar algo dentro de si.

— Vamos pra casa. Domenico tá em boas mãos. Vamos deixar sua amiga em segurança.

Kaia saiu do carro, cruzando os braços.

— Eu quero ir vê-lo. Agora.

— São cinco da manhã — Justin a encarou, impaciente.

— E eu não me importo.

— Justin… — toquei seu braço, tentando acalmá-lo.

Ele desviou o olhar para o segurança.

— Leva ela. Fica lá e depois a leve direto pra casa.

Kaia me abraçou rapidamente antes de seguir com o segurança.

Fiquei parada, observando Justin. Algo dentro dele parecia prestes a explodir.

Suspirei e entrei no carro.

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