We Are - Capitulo 4
Ev
Entrei no carro da Kaia, e ela me olhou.
— Essa roupa é desumana. Você vai roubar a cena.
— Para com isso, eu trouxe pouca roupa de sair, e as que eu tenho não seguram o frio que está fazendo.
— Sério, você tá muito gata. — Ela deu partida. — Então, me conta tudo.
— Não tem mais o que falar. Eu não sei por quê, mas quando percebo, já tô quase falando até o tamanho da minha calcinha pra ele.
— Ele é gato?
Pensei um pouco antes de responder. Não parei para analisá-lo como homem. No momento, ele só era o cara chato que minha tia contratou para ficar no meu pé.
— Os olhos dele são lindos, ele provavelmente tem o corpo bem malhado… Aí, sei lá, Kaia, não quero falar sobre isso.
— Ué, qual o problema em admitir que ele é gato?
— Ele tem 37 anos.
— E você tem 27, querida.
— Ele é 10 anos mais velho.
— Ótimo. Velho da lancha. — Ela riu, estacionando o carro. Ao redor, os carros já tomavam conta da rua, e as pessoas faziam fila do lado de fora.
— Kaia, do céu, olha essa fila! Você reservou?
— Não, mas algo me diz que hoje o dia está bom para nós.
— Traduzindo… — falei, saindo do carro — você vai seduzir um segurança pra gente entrar de graça.
— Segurança? Não. Eu vou falar direto com o dono.
Ela me deixou falando sozinha enquanto ia em direção a um homem. Eles tinham a mesma altura. Ele tinha o cabelo escuro, era branco e tinha cara de ricasso — do jeito que Kaia gosta.
— Essa é minha amiga Ev Lancaster. — Ela me apresentou, e eu quase xinguei sua décima geração por ela ter falado meu sobrenome.
— Lancaster… — ele sorriu. — Metade do meu bar foi decorado pela sua rede de lojas.
— A loja é da minha tia. — Sorri, tentando não parecer incomodada. — Então, podemos entrar?
— Claro, eu nunca deixaria duas mulheres bonitas assim de fora da minha inauguração. Sejam bem-vindas. O primeiro drink é por minha conta.
Kaia bateu palmas e entrou junto com Domenico, me deixando para trás. Olhei para o carro, me perguntando se ainda havia chance de eu voltar para casa e esquecer essa ideia maluca.
Justin
Depois de encontrar alguns documentos e enviá-los para Ryan, liguei para Domenico para saber como as coisas estavam.
– E aí, ela apareceu por aí? – Deixei o celular no viva-voz enquanto procurava uma roupa para vestir.
– Sim, e ela trouxe uma amiga bem interessante.
– O que elas estão fazendo?
– Depois da sua "criança" tomar o quinto shot de vodka, ela e a amiga foram para a pista de dança. Cara, elas arrasam.
– Certo. Daqui a pouco chego aí.
– Beleza. Ah, Ryan me enviou o material. Ótimo começo, hein?
Desliguei a ligação e peguei as chaves do carro. A garota já está bêbada, e eu não tenho paciência nenhuma para lidar com gente bêbada.
Ev
Cinco shots de vodka depois, eu já me sentia muito melhor. Todo o arrependimento por ter aceitado o pedido da minha tia de morar com ela tinha desaparecido, e até a irritação com Justin havia sumido.
Estranhamente, a cena de Justin me segurando pela cintura antes de eu quase me esborrachar no chão veio à mente. O perfume amadeirado dele parecia invadir meus sentidos, e a força com que ele me segurou era tão nítida que parecia que ele estava aqui.
– "A little bit dangerous, but, baby that's how I want it. A little less conversation and a little more touch my body" – cantei enquanto uma versão remix super sexy de Into You, da Ariana Grande tocava. Foi então que percebi que as mãos que imaginava estavam reais demais.
Me virei, ainda dançando, quando as luzes azuis da balada se misturaram com o tom mel queimado dos olhos de Justin. Dei um passo para trás, esbarrando em alguém, e ele me puxou de volta.
– Como me achou? – perguntei, deixando que suas mãos voltassem para minha cintura. Coloquei os braços ao redor de seu pescoço. – Eu saí e você nem viu – ri, provocando.
– Aquela espécie de “trança” que você fez na janela do seu quarto é a mais amadora que já vi na vida.
Fiquei encarando-o, só agora percebendo o quanto ele era bonito.
– E o que acontece agora? Vai me colocar na coleira e me levar de volta para casa?
Justin se aproximou, deixando nossos rostos a centímetros de distância. Eu podia ver cada detalhe de seu rosto. Ele sorriu, um sorriso irônico, e roçou nossos narizes antes de falar com firmeza:
– Você receberia uma boa recompensa se obedecesse minhas ordens.
Então ele me soltou e saiu andando, me deixando completamente em estado de choque.
– Quem era aquele gato pronto para te amassar aqui mesmo? – Kaia perguntou, segurando meu braço.
– Aquele é o “véio da lancha” – respondi, arrumando o cabelo e respirando fundo várias vezes enquanto ela me puxava em direção à fila do bar.
– Pera, aquele é o segurança que sua tia contratou? – Assenti. – Você reclama de barriga cheia, garota. Está brincando comigo?
Enquanto eu tentava entender o que tinha acabado de acontecer, avistei Justin sentado em um dos sofás de uma área VIP. Ele me encarava enquanto tomava algo de cor âmbar em um copo sem gelo. As vodkas que eu havia tomado começaram a circular pelo meu corpo, e meu coração bombeava com tanta força que achei que fosse desmaiar.
Justin
Domenico me mostrava no celular as informações que eles descobriram com os documentos que encontrei.
– Ela tem várias contas laranjas – disse ele.
– Mas o suspeito não era o Gianni? – perguntei, enquanto continuava olhando Ev e a amiga conversando na fila do bar.
– Sim, mas quando a Ev comentou que a Paulina não gostava do Jeremy e não suportava a própria irmã, algumas coisas começaram a fazer sentido para o Mario.
– Que coisas? – Sai do meu transe de encarar aquela garota que estava começando a bagunçar meu juízo e me virei para Domenico.
– Quando o Gianni casou com a Paulina, eles passaram a lua de mel na casa do seu pai. O Jeremy achou que seria uma boa ideia mostrar tudo para ela. Só que quando ela tentou entrar no esquema, o Jeremy a rejeitou porque o Gianni não queria misturar as coisas. Foi então que o Gianni deu alguns dos patrimônios dele para ela, e foi assim que ela começou a construir o império dela. Porém, nas letrinhas pequenas que todo mundo ignora, dizia que ela tinha algumas ações em parceria com o seu pai. Quando ela começou a se envolver em algumas coisas pesadas, o Jeremy tirou tudo do nome dela.
– Que coisas pesadas?
– Cassinos. Ela tentou entrar no circuito de Las Vegas.
– Ela queria morrer?
– Acho que ela só estava pensando no dinheiro.
– Quando o Gianni morreu, ela estava em Vegas. Recebeu a notícia, mas nem se deu ao trabalho de ir ao enterro. No dia seguinte, abriu um cassino.
– Então ela poderia ter matado o Gianni para conseguir tudo que estava no nome dele?
– É o que parece.
– E em relação ao meu pai?
– É isso que ainda precisamos descobrir.
– Então não faz sentido desconfiarem do Gianni. Ele era o braço direito do meu pai, a pessoa em quem ele mais confiava. Mario deve é ter inveja.
– Cara, eu sei que você sempre gostou do Gianni, mas o Mario está no controle de tudo até você poder assumir. Vai com calma.
– Calma? Isso é loucura! Tudo isso está começando a me irritar. Às vezes, dá vontade de largar tudo e deixar o Adriano tomar conta.
– Tá maluco? Entregar o império dos Bieber na mão do Adriano? Ele vai acabar com tudo e todos nós vamos morrer! E, cara, eu sou muito novo e gostoso pra morrer.
Antes que eu pudesse responder, um dos seguranças do Domenico me chamou dizendo que algo estava errado.
Fui para o bar e vi um cara tentando puxar a Ev para dançar. Ela recusava, mas ele continuava insistindo.
– Relaxa, vou mandar alguém expulsar o cara daqui – disse Domenico.
Mas antes que pudesse fazer algo, Kaia puxou a Ev pelo braço e o maldito deu um tapa na bunda dela. Tudo aconteceu muito rápido. Ela chutou o cara e, quando ele deu um soco que a fez cair no chão, eu perdi o controle e parti para cima dele.
Ev
Sempre assisti a filmes onde o bad boy protege a mocinha na balada. Ela se sente segura, sexy, sabendo que ele faria qualquer coisa por ela. Mas, quando caí no chão e senti o gosto metálico de sangue na boca, tudo o que eu queria era ter aprendido a ouvir meu medo e desistir antes das coisas saírem do controle.
— Amiga! — Kaia gritou, jogando-se no chão ao meu lado e segurando meu rosto com urgência. — Você está bem?
Levei a mão à boca, sentindo o sangue brotar rápido.
— Minha boca… está sangrando? Isso é sangue?
Ao nosso redor, os gritos se misturavam. Levantei o olhar, ainda atordoada, a tempo de ver Justin apontando uma arma para o homem que, segundos antes, havia acertado meu rosto.
— Que merda você acha que está fazendo? — Justin rosnava, a raiva transbordando de cada poro.
— Foi reflexo! Desculpa, moça! Você está bem?
Quando o homem tentou estender a mão para mim, Justin reagiu sem hesitar. Uma coronhada certeira na nuca o fez desabar no chão, a centímetros de onde eu estava.
— Ei, ei! Sem brigas no meu bar! — a voz do dono do lugar soou alta, enquanto os seguranças se aproximavam rapidamente.
Kaia me ajudou a levantar, mas, antes que eu pudesse recuperar o equilíbrio, senti o braço firme de Justin me puxar para perto.
— Desde quando você tem uma arma? — perguntei, meu olhar fixo na mão dele, ainda segurando o objeto com firmeza.
— A pergunta mais apropriada é: que merda você está fazendo aqui? E por que fugiu de casa?
— Eu não te devo explicações, Justin. A vida é minha, e eu cuido dela do jeito que quiser.
— Cuida muito mal, pelo visto. — Ele riu, sarcástico. — Sua boca está sangrando, já percebeu isso?
Antes que eu pudesse responder, uma gota de sangue pingou no meu decote. Justin desviou o olhar para mim, seus olhos escuros, sérios. Ele me posicionou atrás de si e se voltou para o homem no chão, que gemia de dor.
— Eu vou te matar. — Justin deu um passo à frente, sua voz baixa e ameaçadora.
O homem tentou recuar, mas não teve chance. Justin se lançou sobre ele, os punhos voando em uma sequência de golpes rápidos e violentos. Em questão de segundos, o rosto do homem já estava inchado, marcado por hematomas.
O dono do bar e vários seguranças apareceram, puxando Justin de cima do sujeito que mal conseguia se mexer.
— Chega! Estão quase chamando a polícia!
Justin se afastou, ofegante, o rosto uma máscara de fúria. Eu nunca tinha visto alguém tão violento. Foi assustador.
— Isso é para você aprender a não mexer com a minha amiga, seu tarado! — Kaia acertou a bolsa no homem caído antes de ser conduzida para longe pelo dono do bar, que tentava, sem sucesso, conquistar sua atenção com uma cantada barata.
Como Justin tinha coragem de armar uma cena dessas? Amanhã, com certeza, meu nome estaria estampado em algum site de fofoca: A sobrinha da ricaça Lancaster se envolve em briga de bar. Minha tia me mataria. Capaz de me expulsar de casa e me obrigar a voltar morar com meus pais.
Afastei-me, procurando algum lugar para fugir dos olhares. Encontrei a saída de emergência e a empurrei, saindo para um beco mal iluminado. Do outro lado, o estacionamento parecia um refúgio distante. Encostei-me na parede fria, soltando o ar que nem percebi estar prendendo.
Uma onda de emoções me atingiu: adrenalina, medo do que poderia ter acontecido e, acima de tudo, a lembrança de Justin apontando uma arma para alguém sem hesitar. Desde quando ele era assim? Violento? Impulsivo?
— Você está bem? — A voz grave de Justin soou atrás de mim. Ele tentou tocar meu rosto, mas eu o empurrei.
— Não encosta em mim.
— O quê? O que eu fiz?
— Você aparece do nada, aponta uma arma para alguém e começa a bater nele como um lunático. Você queria matar aquele cara?
— Você não tem ideia… — Seu olhar escureceu, os olhos cor de mel se transformando em algo assustador.
— Você é maluco?
Tentei me afastar, mas ele me segurou pelo braço, firmemente.
— Você viu o que aquele desgraçado fez com você? Se eu não estivesse lá, sabe-se lá o que poderia ter acontecido! Só de pensar… — Ele parou, os punhos cerrados, respirando fundo.
Coloquei a mão em sua boca antes que ele pudesse terminar.
— Eu tenho vontade de te matar agora, Justin. Nunca mais aponte uma arma para alguém na minha frente, entendeu?
Ele me encarou, e, por um momento, achei que estava sorrindo atrás da minha mão.
— Você entendeu? — puxei sua gravata, nossos rostos ficando a centímetros de distância.
— Engraçado… — Ele apoiou uma das mãos na parede, me encurralando ali. — Você é a primeira mulher que conheço que não gostou de ser salva por um cara gato.
— A única coisa que esse cara gato fez foi me assustar.
O sorriso dele vacilou, e o clima pesado encerrou o que restava da minha noite. Empurrei-o com força e me afastei, caminhando em direção ao estacionamento. Eu precisava de distância.
MEU DEUS ELE TÁ TÃO NA SUAAAAAA 🗣️🗣️🗣️🗣️🗣️
ResponderExcluirEsses dois ainda vão me fazer infartar 😩😩😩😩