We Are - Prólogo





Ev 
O que você faz quando seus pais decidem embarcar em um cruzeiro de procedência duvidosa com o cover de um cantor que morreu em 1977? Exatamente: você sai de casa.
Ok, talvez eu já devesse ter feito isso há muito tempo. Mas a verdade é que me desapegar da minha família, da cidade onde cresci, do curso, dos amigos, sempre foi um assunto que eu escondi debaixo do tapete.
Só que tudo mudou naquela manhã. Quando acordei, encontrei um bilhete em cima da mesa da cozinha: "O cruzeiro do Elvis vai partir às 14h. Quando você ler isso, já estaremos a bordo. Cuide das minhas plantas. Até logo."
Sem despedidas, sem cerimônias. Só um pedaço de papel amassado e a sensação de que eu era uma figurante na minha própria vida. Então, pensei: talvez seja hora de dar uma de protagonista, como as personagens dos livros que leio. Elas sempre acabam com um final feliz, certo? O que poderia dar errado comigo?

Justin

— Vocês só podem estar de brincadeira comigo! Treinei por anos para assumir o lugar do meu pai e, quando chega o momento, vocês me mandam pra longe? — bati as mãos na mesa, minha indignação ecoando pela sala.
— Justin, mais do que ninguém, você sabe que não está preparado para isso. Cuidar da famiglia não é tão simples assim. — Mario respirou fundo, esfregando o nariz como se estivesse prestes a perder a paciência.
— Então, por que diabos tive que aprender como tudo funciona? Perdi anos da minha vida pra nada?
— Anos da sua vida? — Mario estreitou os olhos. — Você desperdiçou rios de dinheiro em viagens, festas e sabe-se lá mais o quê. Não tem o direito de reclamar. E, enquanto não descobrirmos quem matou seu pai, você não pode assumir o lugar dele.
— Se isso for algum tipo de vingança, eles vão vir atrás de você. — A voz de Ryan, meu irritante irmão, ecoou pela sala. Era a primeira vez que ele abria a boca desde que entrei e comecei a ouvir toda essa merda.
— Então, será que alguém pode me explicar por que raios estou aqui? — Soltei um suspiro pesado, jogando-me na cadeira. Abri o terno e cruzei os braços, esperando a resposta.
— Simples. — Mario se levantou, caminhou até mim e me entregou um envelope pardo.

Abri o envelope e puxei alguns papéis, analisando as informações e, entre elas, uma foto. Uma garota. Seus traços me lembravam muito o do meu padrinho Gianni.

— Você vai para Portland descobrir se a família do Gianni tem algo a ver com isso.
— Como assim? — Ergui os olhos para ele, sentindo o peso da encrenca que se aproximava.
— Você será o segurança da sobrinha da Paulina. Vai morar na mansão deles e terá acesso suficiente para descobrir tudo.
— Peraí... — Empurrei a cadeira para trás, levantando-me. — Eu vou virar babá? É isso mesmo? Vocês só podem estar de sacanagem!

Estava pronto para sair da sala quando a voz de Mario me segurou.

— Essas são as consequências de toda a sua farra. Se não fizer isso, pode se considerar fora da sucessão. A menos, claro, que queira participar da coroação do seu irmão Jason.
Parei. Respirei fundo, sentindo o sangue ferver. Virei-me para ele, tentando manter o controle. Antes que começasse a gritar todos os palavrões que sabia em todos os idiomas que fui obrigado a aprender, saí e bati a porta com força.

Mundos completamente diferentes colidem.
Ela busca adrenalina, cansada de viver para os outros, desejando sentir o pulsar da própria liberdade pela primeira vez. Ele quer o que é dele por direito, mas precisa enfrentar as consequências de escolhas do passado, lidando com feridas que nunca cicatrizaram, gritos abafados de dor, segredos enterrados e uma sede de vingança que o consome.
Dois caminhos marcados por cicatrizes e desejos. Mas, quando esses mundos se encontram, será que eles permanecem os mesmos? Ou se transformarão no processo? E, no final, qual será o resultado dessa colisão de vidas tão opostas?

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