We Are - capitulo 13


 

Justin

Enquanto esperava as flores ficarem prontas, recebi uma ligação de Ryan.

— Isso é muito estranho. Nada liga ela à morte do Gianni — ele desatou a falar, sem nem respirar.

— Eu falei. Ter vindo pra cá foi uma perda de tempo — resmunguei, impaciente.

— Tem certeza? Achei que estava se dando bem com a garota.

— Isso não tem nada a ver.

— Mas, sério, não faz sentido.

— O que não faz sentido é ter aqueles documentos no nome do Mario.

— Será que a gente pergunta?

— Não, nem pensar.

— Por quê?

— Porque, se ele estiver mesmo envolvido nisso, quem garante que também não mandou matar meu pai?

— Cara...

— Suas flores estão prontas — a atendente me interrompeu, empilhando três buquês enormes sobre o balcão.

— Flores? Vai pedir a menina em casamento? — Ryan debochou do outro lado da linha.

— Ryan, vá à merda. Hoje é aniversário dela. Aliás, preciso que você me faça um favor. Te mando por mensagem.

Quando Paulina me contou que era seu aniversário e que odiava a data por causa da perda de Gianni, tive uma ideia. Não sei se vai dar certo, mas acho que Gianni ficaria feliz em vê-la sorrindo.

Depois de pegar tudo o que Paulina pediu e colocar meu plano em prática, cheguei em casa e deixei o presente no carro.

— Está tudo aqui — avisei, colocando as sacolas na pia, já que a bancada estava tomada por enfeites de aniversário.

— E aí, descobriu alguma coisa? — Elena perguntou enquanto tirava algumas coisas da geladeira.

— E você, já? — rebati. Não ia ajudar aquela desmiolada. Segundo Domenico, Gianni não tinha filha alguma.

— Nós temos um trato.

— Nós temos? — Encarei Elena, que cruzou os braços.

— Sim, temos. E se você não me ajudar... — Puxei-a pelo braço, estreitando os olhos.

— Acho que você se esqueceu da nossa conversa, não é? Eu não sou obrigado a nada. E você acha mesmo que me engana? Gianni não tem filho nenhum. Então, é melhor parar com essa ideia de que pode me manipular. E outra coisa... se levantar o tom de voz pra mim de novo, eu vou te deixar sem voz. Estamos entendidos?

Antes que ela pudesse responder, ouvimos passos no corredor.

— Justin? Já chegou?

A voz de Pauline cortou o ar, e eu me afastei de Elena no mesmo instante. Pauline entrou na cozinha e se sentou, observando-nos com um olhar curioso.

— Esse ano ela foi mais esperta — disse Pauline, rindo. — Trancou a porta do quarto e ainda colocou um móvel na frente.

— Então vamos embora. Se ela não quer festa, deixa ela em paz — Elena falou, pegando sua bolsa. — E não se esqueça que a senhora tem reuniões hoje.

Cruzei os braços, observando-a.

— Elena, espero que você esteja gastando o meu tempo porque já fez todas as suas obrigações do dia.

Ela permaneceu calada por um instante, depois virou nos calcanhares e saiu.

Pauline suspirou, me lançando um olhar cúmplice.

— Acho que posso resolver isso... só preciso de uma escada.

Ela sorriu, e eu arqueei uma sobrancelha.

— Ótimo. A escada fica no quarto de energia do aquecedor da piscina. Eu vou subir e me arrumar, porque os convidados já estão chegando. Faça ela vestir algo chique e descer logo.

— Sim, senhora.

Peguei a escada e a encostei perto da janela. Subir ali não era fácil, mas a árvore que crescia ao lado ajudava na tarefa. Com o presente que comprei para ela de última hora nas mãos, comecei a subida. O vidro da janela estava embaçado pelo frio da manhã, mas lá dentro, sob o cobertor felpudo, estava minha garota. Seus cabelos caíam sobre o travesseiro em ondas bagunçadas, e seus lábios estavam levemente entreabertos. Sorri. Mesmo dormindo, ela conseguia ser a coisa mais linda que eu já tinha visto.

Antes que eu tentasse abrir a janela, meu celular vibrou. Tentando me equilibrar, tirei o aparelho do bolso da jaqueta de couro e vi as mensagens de Ryan.

Ryan: O presente foi enviado. O Charles fez o máximo para imitar a letra do Gianni. Será que isso vai dar merda?

Ryan: O Mario quer uma reunião com a gente. Dá um jeito de se encontrar com o Domenico. O Jason apareceu.

Ryan: Está na hora de você assumir o lugar do seu pai, cara. Finalmente.

Muita informação em poucos segundos. Jason estava de volta, o que não era bom, mas não podia pensar nisso agora. Não aqui em cima, na escada.

Com cuidado, bati levemente no vidro. Nada.
Bati de novo, agora um pouco mais forte. Ela se mexeu, resmungou algo inaudível e puxou o cobertor sobre o rosto. Segurei a risada e tentei mais uma vez, agora sussurrando:
— Ev... Feliz aniversário, amoretto.

Ela se mexeu de novo, desta vez abriu um olho, ainda meio zonza.
— Justin? — Sua voz saiu sonolenta e rouca.
— A própria praga, respirando desde 1994 — brinquei.

Ela piscou algumas vezes, tentando entender se estava sonhando ou se eu realmente estava ali, congelando do lado de fora. Quando caiu a ficha, ela se sentou na cama, os olhos brilhando de surpresa.
— O que você tá fazendo aí fora?!
— Tentando entrar pra te dar parabéns. Sei que não tivemos muito tempo para conversar desde que chegamos em casa ontem, mas você deveria ter me dito que hoje é o seu aniversário.

Ela soltou um riso suave e encantador, levantando-se para destrancar a janela. Quando a abriu, o ar quente do quarto se misturou com o perfume delicado dela, envolvendo-me instantaneamente. Eu me equilibrei no parapeito, e antes que ela pudesse dizer uma palavra, retirei uma pequena caixa do bolso do meu casaco.

— Se tivesse me avisado mais cedo, teria caprichado mais. Mas, com a Paulina me arrastando por vários lugares, acabei não conseguindo pensar em algo que realmente fosse digno de você.

Ela abriu a caixa, os dedos deslizando com cuidado sobre a tampa, e, ao ver o que estava lá dentro, seus olhos brilharam. Depois de uma longa discussão com a vendedora da loja, descobri que a capa do Kindle dela era um quadro de Van Gogh, As Flores de Amendoeira. Dei umaa pulseira, simples, de ouro branco, trazia pequenos pingentes em forma das flores do quadro do cara e alguns livros minuciosamente trabalhados em prata, com turquesas incrustadas.

Ela olhou para mim, os olhos brilhando de um jeito que aqueceu meu peito.

— Você é inacreditável — murmurou, com um sorriso ingênuo, como se o mundo tivesse ficado mais bonito de repente.

— Só para você — respondi, sentindo o coração acelerar.

Ela riu suavemente, puxou-me pela gola da jaqueta e me deu um beijo leve, preguiçoso, daqueles que fazem você querer ficar ali para sempre.

— Eu pretendia dormir o dia todo, mas ter você aqui... vale a pena viver um pouco esse dia — sussurrou contra meus lábios.

E, naquele momento, enquanto o vento frio batia na janela e o calor dela me envolvia, eu soube, sem sombra de dúvida, que não havia outro lugar no mundo onde eu gostaria de estar.


Ev

Passei a odiar meu aniversário depois da perda do meu tio. A data sempre teve um significado especial para mim. Não importava o que acontecesse, ele sempre me mandava um presente, me ligava e cantava parabéns com aquela voz rouca e carinhosa. Eu ficava ali, com um sorriso bobo, esperando ele terminar a música. Era uma tradição que eu esperava ansiosamente, ano após ano.

E, com o tempo, o vazio dessa data só aumentava. Mas ter o Justin aqui, fazendo algo para tornar o meu dia especial, me deu aquele gostinho de lar que eu sentia antigamente, naquele dia que, agora, parecia tão distante.

— Então, quando pretendia me contar que hoje é seu aniversário? — Justin me pegou como um saco de batatas e me jogou na cama, me fazendo rir.

— Assim que esse dia terminasse. — Me sentei enquanto assistia ele tirar a jaqueta e se jogar em cima de mim.

— Não acho isso justo.

— Por que não?

— Porque assim eu não posso te dar um bom presente.

— Você já me deu um presente incrível. — Mostrei a pulseira que já estava no meu pulso.

— Não era exatamente disso que eu estava falando.

— Como assim?

— Sua tia e Helena estão lá embaixo.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, Justin tomou minha boca em um beijo calmo e delirante. Ele pediu permissão, e quando assenti, encarando seus olhos, ele tirou minha camiseta e me analisou por completo. Eu sabia que o beijo da noite anterior não seria o suficiente. A tensão entre nós vinha se acumulando há dias, uma dança silenciosa de olhares e toques que diziam mais do que qualquer palavra poderia expressar. Eu sabia que estava brincando com fogo, mas, naquele momento, quando Justin me puxou para perto, qualquer resquício de razão desapareceu.

O calor da sua pele contra a minha fez meu corpo inteiro se acender. Seus lábios encontraram os meus com uma fome que eu sentia espelhada em cada parte do meu ser. Minhas mãos deslizaram por suas costas, sentindo cada músculo, cada arrepio que eu causava. Ele murmurou meu nome contra minha boca, e o som me fez perder o fôlego.

Nossos lábios se encontraram com urgência, e, em poucos instantes, nos perdemos um no outro. Sua boca explorava a minha, suas mãos traçaram caminhos que faziam minha pele arder. Cada toque era uma promessa, e eu queria mais.

Quando finalmente ficamos ali, envoltos pelo calor um do outro, a respiração ainda descompassada, tudo fez sentido. O silêncio que se seguiu não foi constrangedor. Pelo contrário, era confortável, carregado de algo novo e intenso. Ele passou os dedos pelo meu rosto, um sorriso de pura satisfação dançando em seus lábios.

— Feliz aniversário. — Ele depositou um selinho rápido em meus lábios.

— Obrigada. — Sorri envergonhada. — Quero passar o dia aqui, assim.

— Infelizmente, isso não é possível. Sua tia está lá embaixo, ela quer te ver. Eu fiquei encarregado de te tirar da cama, então é melhor se arrumar e descer antes que ela venha aqui e coloque esse lugar abaixo.

— Você pode falar que eu estou doente. — Sorri.

— Ela me deu infinitas possibilidades que você usaria para não descer. Vai ser rápido. Depois, podemos sair, se quiser.

Respirei fundo, me dando por vencida. Minha manhã tinha sido incrível, então poderia fazer esse favor para minha tia.

— Tudo bem, eu desço. Mas, de noite, quero ir ao bar do Domenico, o amigo da Kaia.

— Sério? A gente pode ir para tantos lugares melhores.

— Eu gosto de lá, e o Domenico é bem engraçado.

— Se você acha... — Ele se levantou, vestiu a roupa e me encarou antes de ir para a janela e subir na escada de novo. — Se você não descer em dez minutos, eu vou arrombar essa porta com móvel e tudo.

Ri vendo ele descer e me levantei para procurar alguma roupa que combinasse com minha pulseira nova.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas