We Are - Capitulo 12
Ev
Algo em mim mudou quando Justin e eu nos beijamos. Não sei bem o porquê, mas algo me dizia que meu coração estava ligado a ele para sempre, e isso me preocupava.
— O que foi? — Ele me envolveu em um abraço, acariciando minhas costas.
— Nada, só estou com frio. — Deitei minha cabeça em seu peito, observando a fumaça que saía da minha respiração.
— Vamos descer, então. Vou ver se Paulina te libera, e aí vamos para casa.
— Ela não vai deixar. — Suspirei fundo. — Só preciso descer, dar mais uma volta pelo salão e me enfiar no escritório dela.
— Tudo bem, vamos.
Descemos até o salão, que durante o dia servia como sala de visitas e exposição dos lançamentos da minha tia. As pessoas estavam entretidas com uma apresentação de tango. Avisei Justin que precisava ir ao banheiro, e ele disse que me esperaria no escritório.
No banheiro, como imaginei, meu batom estava borrado, meu cabelo um pouco bagunçado e o decote desalinhado. Respirei fundo antes de sair e, assim que pisei do lado de fora, dei de cara com minha tia. Suas pupilas dilatadas denunciavam que já estava completamente bêbada.
— Oi, querida. Mandei Justin atrás de você. Ele foi?
— Sim, foi. Eu precisava de um pouco de ar.
— Que bom. Queria que você tocasse piano para nós.
— A senhora sabe que eu não toco mais.
— Que isso, menina! Aposto que Gianni adoraria ver você tocar.
— É, mas ele não está mais aqui para ver. — Minha voz saiu um pouco mais alta do que eu pretendia.
— Você poderia fazer isso por mim, depois da cena que causou? A garota ainda está se queixando de dor até agora.
— Ela se queimou com champanhe?
Minha tia hesitou por um momento, balançando a cabeça negativamente.
— Não importa. Você a assustou.
— Nossa, coitada. — Revirei os olhos.
Enquanto minha tia resmungava sobre os problemas da festa, meu celular vibrou. Algumas mensagens de Justin.
"Onde você está? Por que está demorando?"
A última me fez prender a respiração:
"Se você demorar mais para entrar nesse escritório, vou atrás de você. E não vai gostar que as pessoas vejam o estado em que me deixou lá no terraço."
Ri com a mensagem e avisei minha tia que ficaria no escritório até o fim da festa. Ela assentiu a contragosto e, enquanto as luzes se apagavam para a exibição dos vídeos dos futuros lançamentos, entrei na sala, tentando manter a compostura.
Mas ele já estava lá.
Encostado na beira da mesa, aquele olhar perigoso me desmontando por completo. A gravata afrouxada, o colarinho aberto, e o sorriso nos lábios dele deixavam claro exatamente o que tinha em mente.
— Você demorou — disse ele, com um tom que misturava autoridade e provocação.
— Alguma coisa urgente? — provoquei, mas minha voz já entregava que eu sabia exatamente onde aquilo ia parar.
Justin não respondeu. Apenas atravessou a sala em dois passos e me puxou pela cintura, me prendendo contra a porta que eu acabara de fechar. O cheiro dele — amadeirado, quente — fez meus joelhos fraquejarem.
— Urgente, sim — ele murmurou, a boca perigosamente perto da minha orelha.
Antes que eu pudesse reagir, seus lábios deslizaram pelo meu pescoço, e eu me perdi.
Não sei dizer quanto tempo passou até sentir o toque frio da mesa contra minhas costas. Em algum momento, ele me levantou, arrancou meu vestido e me deixou completamente entregue ao momento.
As pilhas de papéis foram esquecidas enquanto Justin assumia o controle. Minhas mãos buscavam algo para se agarrar, mas tudo que encontravam eram os ombros firmes dele, o calor da sua pele.
Eu deveria estar preocupada com quem poderia entrar. Mas naquele instante, tudo que importava era como cada movimento dele era preciso, intenso, como ele me fazia esquecer de tudo ao redor.
Quando finalmente me recostei sobre a mesa, suada, sem fôlego e sem um único vestígio de roupa, Justin sorriu, satisfeito. Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e, com a voz rouca, disse:
— Viu? Você é exatamente o que eu precisava.
Ri, ainda tentando recuperar o fôlego, mas sem forças para responder.
Justin
Ev caiu no sono enquanto nos beijávamos no sofá. Eu também estava quase pegando no sono quando me dei conta de onde estávamos.
Me levantei, cobrindo Ev com meu terno — ela ainda estava nua — e me sentei na cadeira em frente ao notebook dela.
Sem senha.
Suspirei. Isso era descuido ou confiança? De qualquer forma, era minha chance.
Digitei o nome do meu pai no campo de busca. Nada.
Tentei "Gianni" e encontrei alguns documentos relacionados a licenciamentos de marca, mas nada que incriminasse Paulina.
Por um instante, hesitei. O que mais poderia procurar? Então, o rosto de Mario surgiu em minha mente.
Digitei seu nome.
Vários arquivos apareceram, todos contendo seu sobrenome. Tentei abrir alguns, mas todos estavam protegidos por senha.
— Droga.
Tirei algumas fotos e enviei para Domenico.
Do lado de fora, ouvi palmas e a voz de Pauline anunciando que serviriam a sobremesa junto com a apresentação final da festa.
Me levantei e chamei Ev para se vestir.
— A festa está acabando — avisei.
Ajudei-a a se arrumar e, como se tudo estivesse cronometrado, assim que ela terminou, Paulina entrou no escritório.
— Você já pode ir, Ev.
Ev se despediu da tia e seguiu sonolenta até o carro.
Quando chegamos em casa, ela seguiu direto para as escadas, mas segurei seu braço, fazendo-a se virar para mim.
— Aonde pensa que vai?
— Dormir. Estou morta, e esses saltos acabaram comigo.
— Você vai dormir comigo hoje.
— Você está me afirmando ou sugerindo?
Puxei seu corpo até que estivesse colado ao meu.
— Eu estou mandando. — Mordi seu lábio inferior, fazendo-a rir.
— Ok, então. — Ela sorriu, suspirando visivelmente cansada.
— Vai indo para o meu quarto. Vou trancar a casa e ativar os alarmes.
— Não demora.
Assim que ela entrou no quarto, enviei as fotos para Domenico e pedi para Ryan me ligar de manhã.
Ev
O vapor já tomava conta do banheiro, enevoando o espelho e criando um calor confortável ao meu redor. A água caía forte do chuveiro, deslizando pelos meus ombros nus enquanto eu fechava os olhos, sentindo o relaxamento tomar conta.
De repente, percebi uma movimentação atrás de mim. Um sorriso brincou em meus lábios antes mesmo de me virar.
As mãos firmes de Justin pousaram na minha cintura, seu toque quente contrastando com os arrepios que percorriam minha pele. Ele encostou os lábios úmidos no meu ombro e sussurrou contra minha pele:
— Você começou sem mim… Isso não é justo.
Ri baixinho, inclinando a cabeça para o lado, dando-lhe mais espaço.
— Você estava demorando — murmurei, sentindo seus dedos deslizarem suavemente pelo meu abdômen, explorando cada centímetro.
Ele soltou um som baixo, algo entre um riso e um gemido satisfeito.
— Acho que preciso compensar isso, então.
Justin deslizou as mãos para minhas costas, puxando-me contra seu peito molhado. O calor do nosso contato me fez suspirar. Ele começou a espalhar beijos lentos pelo meu pescoço, enquanto seus dedos traçavam círculos na minha pele. Meu corpo relaxava e incendiava ao mesmo tempo, perdido entre a ternura e o desejo que ele sempre despertava em mim.
Virei-me nos braços dele, encontrando aqueles olhos intensos que me faziam esquecer do mundo. Pingos d’água escorriam pelo rosto de Justin, deslizando até seus lábios entreabertos. Passei os dedos devagar por seu maxilar antes de segurá-lo suavemente pela nuca, puxando-o para um beijo profundo.
O sabor dele misturado ao gosto da água quente era viciante. O beijo começou calmo, explorador, mas logo se tornou mais intenso, mais necessitado. As mãos de Justin percorriam meu corpo, descendo e subindo, como se quisesse memorizar cada detalhe meu. Quando nos separamos para respirar, ele encostou a testa na minha, sorrindo.
— Eu poderia passar o resto da minha vida assim — murmurou, seus olhos brilhando com algo que me aqueceu por dentro.
Acariciei seu rosto, deixando meus lábios roçarem nos dele em um selinho demorado.
— Então fique. Sempre.
Justin soltou um riso suave antes de me puxar para mais perto, envolvendo-me completamente em seus braços fortes. Ficamos ali, com a água escorrendo ao nosso redor, aproveitando a intimidade, o calor e o amor silencioso que preenchia cada espaço entre nós.
Justin
Acordei e olhei no relógio. Seis da manhã.
Ouvi um barulho na cozinha e fiquei em estado de alerta. Me virei e vi a cama vazia.
Levantei e fui até a cozinha, encontrando Paulina e Elena arrumando a bancada com várias comidas e balões.
— Bom dia — falei, desconfiado, tentando entender o que era tudo aquilo.
— Bom dia. Preciso que você vá até a floricultura buscar umas encomendas minhas.
— Desculpa a pergunta, mas… o que é isso tudo?
Paulina riu.
— Ela não te falou, né? Hoje é aniversário da Ev.
— O quê?
— Não, ela não comentou nada.
— Desde que Gianni se foi, ela começou a odiar aniversários porque ele parou de enviar as malditas conchas de aniversário.
Assenti, entendendo o peso da data para Ev.
— Entendi. Bom, vou me trocar e ir até lá. Ela já desceu?
— Ela sempre se tranca no quarto nesse dia. Mas conto com você para me ajudar a tirar ela de lá.
— Tudo bem. — Sorri e voltei para o quarto, com a mente já formulando um plano.

Esses dois pombinhos, são demais pro meu coração 🥹🥹🥹🥹
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